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Wednesday, 5 October 2011

devo admitir que sabe bem estes últimos dias de calor. depois de todas as folgas terem ser acolhidas sobre dias nublados ou de aguaceiros, o meu começava a apertar com a perspectiva de o inverno chegar e as minhas saudades do verão não estarem completamente saciadas. por muito que eu sinta a falta do inverno, da chuva, do frio, da lama, dos arrepios e de um orvalho matinal que só o inverno sabe produzir, da condensação, do ardor que se forma nos pulmões e grita que estamos vivos, do alivio de uma chávena de chá num dia frio ou do conforto do aquecedor ou de cobertor. cachecóis e lenços que preenchem as ruas e os casacos e guarda-chuvas que dão vida por entre os dons de cinzento e castanho do inverno. e porque nada tem o mesmo sabor que o bolo-rei, azevias, o peru, as castanhas assadas, o pudim de natal, e todas as outras coisas que se agarram ao inverno. como uma simples caneca de chocolate quente que faz com que o calor se espalhe pelo corpo e a cor retorne ao rosto.
e por isso, agradecida por um pouco mais deste sol abafado que aquece os ossos e sussurra promessas numa despida até à primavera tardia.

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